Vale paraibano 06 / 06 / 2001
Noticias do Jornal Vale Paraibano
Meio Ambiente
Jacareí armazena lixo de 11 cidades
Município não recebe nada pelo serviço, que pode reduzir vida útil de aterro; Enob nega recebimento
Aurélio Chiaradia
Jacareí
Jacareí recebe mensalmente 107,2 toneladas de lixo hospitalar de outras cidades. O volume é seis vezes maior que o montante produzido pela cidade. Segundo a prefeitura, o município não arrecada nada com o recebimento.De acordo com relatório da SSM (Secretaria de Serviços Municipais), o aterro sanitário recebe 124,9 toneladas de lixo hospitalar por mês. Desse total, 17,7 são produzidos por Jacareí e 107,2, por outras 11 cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte.O secretário de Serviços Municipais, Valdir Capucci, informou que a Enob, empresa que opera o aterro desde 1993, está protegida por um decreto do ex-prefeito Benedicto Sérgio Lencioni, que permite o recebimento de material de outras cidades."Mesmo assim, a empresa operadora do aterro tem que mandar um ofício para a SSM dizendo os nomes das cidades, o que não aconteceu ainda na minha gestão", afirmou o secretário.A Enob recebe R$ 183,7 mil mensais para fazer a coleta de lixo doméstico e hospitalar, além de operar o aterro e varrer o centro da cidade.Para o vereador Almir Santos Gonçalves (PT), a vida útil do aterro pode ser reduzida com o excesso de lixo enviado ao local."Hoje, estima-se que a vida útil do aterro seja de dois anos. Ela poderia ser prolongada se a Enob parasse de receber lixo hospitalar e doméstico de outras cidades", afirmou o petista.Segundo ele, o aterro de Jacareí armazena um total de 3.000 toneladas mensais de lixo hospitalar e doméstico. Além das 107,2 toneladas de resíduos hospitalares, a cidade também recebe 325 toneladas de lixo doméstico de outras cidades."A cidade de Santa Branca, por exemplo, contribui com mais de 166 toneladas por mês. O prefeito precisaria baixar novo decreto para banir o recebimento de lixo hospitalar de fora e aumentar a vida útil do aterro", afirmou o vereador.A prefeitura já deu início ao processo de alteamento para tentar prolongar a vida útil do aterro para três anos. Após esse período, a administração pretende desapropriar um terreno afastado da cidade para um novo aterro. O local ainda é indefinido.As empresas responsáveis pela administração e operação do aterro negaram ontem que o lixo seja armazenado em Jacareí (leia texto nesta página).O chefe de divisão de coleta e aterro sanitário, Aías José de Santana, que fica 10 horas por dia no aterro, disse que o lixo hospitalar de outras cidades permanece em Jacareí."Quem diz que o lixo vem, é tratado e depois mandado para outro aterro, está mentindo. Eu trabalho no aterro, gerencio aquele lugar e tenho autoridade suficiente para dizer que nele se concentram restos hospitalares de outras cidades."A assessoria da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) informou que cabe à prefeitura impedir o recebimento de lixo de outros municípios.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
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